domingo, 29 de maio de 2016

Carta ao Tempo



De fato, querido amigo, e com plena certeza, vejo-me torturado por seu ritmo constante,
perpétuo e cronológico  matinal. Tornando-me refém de seus minutos, perco as estribeiras ao ser ludibriado por seu lento e enganoso compasso. Querendo apressá-lo, esbarro com a simples realidade de não ter controle sobre ti. Finalmente cai o início da tarde e torno-me seu fiel amigo; poucos minutos depois sou traído ao perdê-lo de vista com toda sua rapidez e agilidade. 
Recobro forças e sigo seu percalço, porém, está tarde de mais e o que me resta é revê-lo ao amanhecer. Sou desconcertado com seu simples compasso estático. Dando-me conta de tudo isto em sonho, te vejo pela manhã, ouvindo a sirene do ingrato despertador.


Fonte: Gabriel Meiller Nunes, 29/05/2016 "Carta ao Tempo".

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