“A vida é uma só”, dizem. “Não há nada além
disso”, dizem. “Devemos aproveitar cada momento como se fosse o último”, dizem.
Mas o fato é, que em nossa sociedade é difícil se desapegar da rotina. Aquela
que todos temos, nossa companheira de todas as horas, que não nos deixa por
mais que não a queiramos mais.
A regra social é clara: cada um tem aquilo que
merece, trabalhando para consegui-lo. Então, trabalhamos, trabalhamos,
trabalhamos e, se não conseguimos nada, trabalhamos um pouco mais. A vida se
perde em meio a tanto trabalho, a tantas horas gastas focando em um objetivo
maior, que parece sempre mais distante a medida que ficamos mais cansados, mais
desgastados e trabalhando mais. Os pequenos prazeres se tornam supérfluos, o
mais tarde nunca chega. O pequeno apartamento parece cada vez menor, o carro do
ano de há seis anos ainda precisa de reparos e a rotina permanece a mesma. A
rotina parece certa, pois é a única conhecida e é preciso ter foco para
conseguir algo na vida.
Essa rotina, porém, nos mata aos poucos. Ela
vai nos afogando e nos asfixiando e nos estrangulando. Nós não pensamos mais
que existe um mundo inteiro fora da bolha na qual estamos presos. Que a vida é
maior do que um posto de trabalho, um apartamento novo e maior e mais caro, uma
viagem para um destino clichê. Mas não nos lembramos disso. Estamos tão imersos
nesse sistema falido, de trabalhar para viver e viver para trabalhar, que a
mera ideia de quebrar esse ciclo vicioso se torna impossível.
Nos acostumamos a achar que não vale a pena
lutar por algo melhor do que já se tem. A gente se acostuma a se acostumar, a
não mudar, a ficar inerte. Mas o mundo lá fora é tão maior do que as coisas que
conhecemos. As experiências, tão mais interessantes do que aquilo que já
experimentamos. Os sons, os gostos, os cheiros, as sensações, a vida em si, é
tão mais além da rotina cansativa, repetitiva, sem fim.
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